Pular para o conteúdo
The Way

Procurar passagem ou palavra

Leitura

Bíblia em 6 meses

Dia 82 de 182 · uns 24 min

Jó 35–40

Jó 35Abrir no leitor

1Eliú respondeu mais, dizendo:

2Pensas tu ser direito dizeres: Maior é a minha justiça do que a de Deus?

3Porque disseste: Para que ela te serve? Ou : Que proveito terei dela mais que meu pecado?

4Eu darei reposta a ti, e a teus amigos contigo.

5Olha para os céus, e vê; e observa as nuvens, que são mais altas que tu.

6Se tu pecares, que mal farás contra ele? Se tuas transgressões se multiplicarem, que mal lhe farás?

7Se fores justo, que lhe darás? Ou o que ele receberá de tua mão?

8Tua perversidade poderia afetar a outro homem como tu; e tua justiça poderia ser proveitosa a algum filho do homem.

9Os aflitos clamam por causa da grande opressão; eles gritam por causa do poder dos grandes.

10Porém ninguém diz: Onde está Deus, meu Criador, que dá canções na noite,

11Que nos ensina mais que aos animais da terra, e nos faz sábios mais que as aves do céu?

12Ali clamam, porém ele não responde, por causa da arrogância dos maus.

13Certamente Deus não ouvirá a súplica vazia, nem o Todo-Poderoso dará atenção a ela.

14Quanto menos ao que disseste: que tu não o vês! Porém o juízo está diante dele; portanto espera nele.

15Mas agora, já que a ira dele ainda não está castigando, e ele não deu completa atenção à arrogância,

16Por isso Jó abriu sua boca em vão, e multiplicou palavras sem conhecimento.

Jó 36Abrir no leitor

1Prosseguiu Eliú ainda, dizendo:

2Espera-me um pouco, e eu te mostrarei que ainda há palavras a favor de Deus.

3Desde longe trarei meu conhecimento, e a meu Criador atribuirei a justiça.

4Porque verdadeiramente minhas palavras não serão falsas; contigo está um que tem completo conhecimento.

5Eis que Deus é grande, porém despreza ninguém; grande ele é em poder de entendimento.

6Ele não permite o perverso viver, e faz justiça aos aflitos.

7Ele não tira seus olhos do justo; ao contrário, ele os faz sentar com os reis no trono, e assim são exaltados.

8E se estiverem presos em grilhões, e detidos com cordas de aflição,

9Então ele lhes faz saber as obras que fizeram, e suas transgressões, das quais se orgulharam.

10E revela a seus ouvidos, para que sejam disciplinados; e lhes diz, para que se convertam da maldade.

11Se ouvirem, e o servirem, acabarão seus dias em prosperidade, e seus anos em prazeres.

12Porém se não ouvirem, perecerão pela espada, e morrerão sem conhecimento.

13E os hipócritas de coração acumulam a ira divina ; e quando ele os amarrar, mesmo assim não clamam.

14A alma deles morrerá em sua juventude, e sua vida entre os pervertidos.

15Ele livra o aflito de sua aflição, e na opressão ele revela a seus ouvidos.

16Assim também ele pode te desviar da boca da angústia para um lugar amplo, onde não haveria aperto; para o conforto de tua mesa, cheia dos melhores alimentos.

17Mas tu estás cheio do julgamento do perverso; o julgamento e a justiça te tomam.

18Por causa da furor, guarda-te para que não sejas seduzido pela riqueza, nem que um grande suborno te faça desviar.

19Pode, por acaso, a tua riqueza te sustentar para que não tenhas aflição, mesmo com todos os esforços de teu poder?

20Não anseies pela noite, em que os povos são tomados de seu lugar.

21Guarda-te, e não te voltes para a maldade; pois por isto que tens sido testado com miséria.

22Eis que Deus é exaltado em seu poder; que instrutor há como ele?

23Quem lhe indica o seu caminho? Quem poderá lhe dizer: Cometeste maldade?

24Lembra-te de engrandeceres sua obra, a qual os seres humanos contemplam.

25Todas as pessoas a veem; o ser humano a enxerga de longe.

26Eis que Deus é grande, e nós não o compreendemos; não se pode descobrir o número de seus anos.

27Ele traz para cima as gotas das águas, que derramam a chuva de seu vapor;

28A qual as nuvens destilam, gotejando abundantemente sobre o ser humano.

29Poderá alguém entender a extensão das nuvens, e os estrondos de seu pavilhão?

30Eis que estende sobre ele sua luz, e cobre as profundezas do mar.

31Pois por estas coisas ele julga aos povos, e dá alimento em abundância.

32Ele cobre as mãos com o relâmpago, e dá ordens para que atinja o alvo.

33O trovão anuncia sua presença; o gado também prenuncia a tempestade que se aproxima.

Jó 37Abrir no leitor

1Disto também o meu coração treme, e salta de seu lugar.

2Ouvi atentamente o estrondo de sua voz, e o som que sai de sua boca,

3Ao qual envia por debaixo de todos os céus; e sua luz até os confins da terra.

4Depois disso brama com estrondo; troveja com sua majestosa voz; e ele não retém seus relâmpagos quando sua voz é ouvida.

5Deus troveja maravilhosamente com sua voz; ele faz coisas tão grandes que nós não compreendemos.

6Pois ele diz à neve: Cai sobre à terra; Como também à chuva: Sê chuva forte.

7Ele sela as mãos de todo ser humano, para que todas as pessoas conheçam sua obra.

8E os animais selvagens entram nos esconderijos, e ficam em suas tocas.

9Da recâmara vem o redemoinho, e dos ventos que espalham vem o frio.

10Pelo sopro de Deus se dá o gelo, e as largas águas se congelam.

11Ele também carrega de umidade as espessas nuvens, e por entre as nuvens ele espalha seu relâmpago.

12Então elas se movem ao redor segundo sua condução, para que façam quanto ele lhes manda sobre a superfície do mundo, na terra;

13Seja que ou por vara de castigo, ou para sua terra, ou por bondade as faça vir.

14Escuta isto, Jó; fica parado, e considera as maravilhas de Deus.

15Por acaso sabes tu quando Deus dá ordem a elas, e faz brilhar o relâmpago de sua nuvem?

16Conheces tu os equilíbrios das nuvens, as maravilhas daquele que é perfeito no conhecimento?

17Tu, cujas vestes se aquecem quando a terra se aquieta por causa do vento sul,

18acaso podes estender com ele os céus, que estão firmes como um espelho fundido?

19Ensina-nos o que devemos dizer a ele; pois discurso nenhum podemos propor, por causa das nossas trevas.

20Seria contado a ele o que eu haveria de falar? Por acaso alguém falaria para ser devorado?

21E agora não se pode olhar para o sol, quando brilha nos céus, quando o vento passa e os limpa.

22Do norte vem o esplendor dourado; em Deus há majestade temível.

23Não podemos alcançar ao Todo-Poderoso; ele é grande em poder; porém ele a ninguém oprime em juízo e grandeza de justiça.

24Por isso as pessoas o temem; ele não dá atenção aos que se acham sábios de coração.

Jó 38Abrir no leitor

1Então o SENHOR respondeu a Jó desde um redemoinho, e disse:

2Quem é esse que obscurece o conselho com palavras sem conhecimento?

3Agora cinge teus lombos como homem; e eu te perguntarei, e tu me explicarás.

4Onde estavas tu quando eu fundava a terra? Declara- me ,se tens inteligência.

5Quem determinou suas medidas, se tu o sabes? Ou quem estendeu cordel sobre ela?

6Sobre o que estão fundadas suas bases? Ou quem pôs sua pedra angular,

7Quando as estrelas do amanhecer cantavam alegremente juntas, e todos os filhos de Deus jubilavam?

8Ou quem encerrou o mar com portas, quando transbordou, saindo da madre,

9Quando eu pus nuvens por sua vestidura, e a escuridão por sua faixa;

10Quando eu passei sobre ele meu decreto, e lhe pus portas e ferrolhos,

11E disse: Até aqui virás, e não passarás adiante, e aqui será o limite para a soberba de tuas ondas?

12Desde os teus dias tens dado ordem à madrugada? Ou mostraste tu ao amanhecer o seu lugar,

13Para que tomasse os confins da terra, e os perversos fossem sacudidos dela?

14E a terra se transforma como barro sob o selo; todas as coisas sobre ela se apresentam como vestidos?

15E dos perversos é desviada sua luz, e o braço erguido é quebrado.

16Por acaso chegaste tu às fontes do mar, ou passeaste no mais profundo abismo?

17Foram reveladas a ti as portas da morte, ou viste as portas da sombra de morte?

18Entendeste tu as larguras da terra? Declara, se sabes tudo isto.

19Onde está o caminho por onde mora a luz? E quanto às trevas, onde fica o seu lugar?

20Para que as tragas a seus limites, e conheças os caminhos de sua casa.

21Certamente tu o sabes, pois já eras nascido, e teus dias são inúmeros!

22Por acaso entraste tu aos depósitos da neve, e viste os depósitos do granizo,

23Que eu retenho até o tempo da angústia, até o dia da batalha e da guerra?

24Onde está o caminho em que a luz se reparte, e o vento oriental se dispersa sobre a terra?

25Quem repartiu um canal às correntezas de águas, e caminho aos relâmpagos dos trovões,

26Para chover sobre a terra onde havia ninguém, sobre o deserto, onde não há gente,

27Para fartar a terra deserta e desolada, e para fazer crescer aos renovos da erva.

28Por acaso a chuva tem pai? Ou quem gera as gotas do orvalho?

29De qual ventre procede o gelo? E quem gera a geada do céu?

30As águas se tornam duras como pedra, e a superfície do abismo se congela.

31Podes tu atar as cadeias das Plêiades, ou desatar as cordas do Órion?

32Podes tu trazer as constelações a seu tempo, e guiar a Ursa com seus filhos?

33Sabes tu as ordenanças dos céus? Ou podes tu dispor do domínio deles sobre a terra?

34Ou podes levantar tua voz até às nuvens, para que a abundância das águas te cubra?

35Podes tu mandar relâmpagos, para que saiam, e te digam: Eis-nos aqui?

36Quem pôs a sabedoria no íntimo? Ou quem deu entendimento à mente?

37Quem pode enumerar as nuvens com sabedoria? E os odres dos céus, quem pode os despejar?

38Quando o pó se endurece, e os torrões se apegam uns aos outros?

39Caçarás tu a presa para o leão? Ou saciarás a fome dos leões jovens,

40Quando estão agachados nas covas, ou estão à espreita no matagal?

41Quem prepara aos corvos seu alimento, quando seus filhotes clamam a Deus, andando de um lado para o outro por não terem o que comer?

Jó 39Abrir no leitor

1Sabes tu o tempo em que as cabras montesas dão filhotes? Ou observaste tu as cervas quando em trabalho de parto?

2Contaste os meses que elas cumprem, e sabes o tempo de seu parto?

3Quando se encurvam, produzem seus filhos, e lançam de si suas dores.

4Seus filhos se fortalecem, crescem como o trigo; saem, e nunca mais voltam a elas.

5Quem despediu livre ao asno montês? E quem ao asno selvagem soltou das ataduras?

6Ao qual eu dei a terra desabitada por casa, e a terra salgada por suas moradas.

7Ele zomba do tumulto da cidade; não ouve os gritos do condutor.

8A extensão dos montes é seu pasto; e busca tudo o que é verde.

9Por acaso o boi selvagem quererá te servir, ou ficará junto de tua manjedoura?

10Ou amarrarás ao boi selvagem com sua corda para o arado? Ou lavrará ele aos campos atrás de ti?

11Confiarás nele, por ser grande sua força, e deixarás que ele faça teu trabalho?

12Porás tua confiança nele, para que ele colha tua semente, e a junte em tua eira?

13As asas da avestruz batem alegremente, mas são suas asas e penas como as da cegonha?

14Ela deixa seus ovos na terra, e os esquenta no chão,

15E se esquece de que pés podem os pisar, e os animais do campo podem os esmagar.

16Age duramente para com seus filhos, como se não fossem seus, sem temer que seu trabalho tenha sido em vão.

17Porque Deus a privou de sabedoria, e não lhe repartiu entendimento.

18Porém quando se levanta para correr, zomba do cavalo e do seu cavaleiro.

19És tu que dás força ao cavalo, ou que vestes seu pescoço com crina?

20Podes tu o espantar como a um gafanhoto? O sopro de suas narinas é terrível.

21Ele escarva a terra, alegra-se de sua força, e sai ao encontro das armas;

22Ele zomba do medo, e não se espanta; nem volta para trás por causa da espada.

23Contra ele rangem a aljava, o ferro brilhante da lança e do dardo;

24Sacudido-se com furor, ele escarva a terra; ele não fica parado ao som da trombeta.

25Ao som das trombetas diz: Eia! E desde longe cheira a batalha, o grito dos capitães, e o barulho.

26Por acaso é por tua inteligência que o gavião voa, e estende suas asas para o sul?

27Ou é por tua ordem que a água voa alto e põe seu ninho na altura?

28Nas penhas ela mora e habita; no cume das penhas, e em lugares seguros.

29Desde ali espia a comida; seus olhos avistam de longe.

30Seus filhotes sugam sangue; e onde houver cadáveres, ali ela está.

Jó 40Abrir no leitor

1Então o SENHOR respondeu mais a Jó, dizendo:

2Por acaso quem briga contra o Todo-Poderoso pode ensiná-lo? Quem quer repreender a Deus, responda a isto.

3Então Jó respondeu ao SENHOR, dizendo:

4Eis que eu sou insignificante; o que eu te responderia? Ponho minha mão sobre minha boca.

5Uma vez falei, porém não responderei; até duas vezes, porém não prosseguirei.

6Então o SENHOR respondeu a Jó desde o redemoinho, dizendo:

7Cinge-te agora os teus lombos como homem; eu te perguntarei, e tu me explica.

8Por acaso tu anularias o meu juízo? Tu me condenarias, para te justificares?

9Tens tu braço como Deus? Ou podes tu trovejar com tua voz como ele?

10Orna-te, pois, de excelência e alteza; e veste-te de majestade e glória.

11Espalha os furores de tua ira; olha a todo soberbo, e abate-o.

12Olha a todo soberbo, e humilha-o; e esmaga aos perversos em seu lugar.

13Esconde-os juntamente no pó; ata seus rostos no oculto.

14E eu também te reconhecerei; pois tua mão direita te terá livrado.

15Observa o beemote, ao qual eu fiz contigo; ele come erva come como o boi.

16Eis que sua força está em seus lombos, e seu poder na musculatura de seu ventre.

17Ele torna sua cauda dura como o cedro, e os nervos de suas coxas são entretecidos.

18Seus ossos são como tubos de bronze; seus membros, como barras de ferro.

19Ele é a obra-prima dos caminhos de Deus; aquele que o fez o proveu de sua espada.

20Pois os montes lhe produzem pasto; por isso todos os animais do campo ali se alegram.

21Ele se deita debaixo das árvores sombrias; no esconderijo das canas e da lama.

22As árvores sombrias o cobrem, cada uma com sua sombra; os salgueiros do ribeiro o cercam.

23Ainda que o rio se torne violento, ele não se apressa; confia ainda que o Jordão transborde até sua boca.

24Poderiam, por acaso, capturá-lo à vista de seus olhos, ou com laços furar suas narinas?

Texto: Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles, fevereiro de 2018. Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Brasil.