Dia 14 de 60 · uns 11 min
Jó 40–42
Jó 40Abrir no leitor
1Então o SENHOR respondeu mais a Jó, dizendo:
2Por acaso quem briga contra o Todo-Poderoso pode ensiná-lo? Quem quer repreender a Deus, responda a isto.
3Então Jó respondeu ao SENHOR, dizendo:
4Eis que eu sou insignificante; o que eu te responderia? Ponho minha mão sobre minha boca.
5Uma vez falei, porém não responderei; até duas vezes, porém não prosseguirei.
6Então o SENHOR respondeu a Jó desde o redemoinho, dizendo:
7Cinge-te agora os teus lombos como homem; eu te perguntarei, e tu me explica.
8Por acaso tu anularias o meu juízo? Tu me condenarias, para te justificares?
9Tens tu braço como Deus? Ou podes tu trovejar com tua voz como ele?
10Orna-te, pois, de excelência e alteza; e veste-te de majestade e glória.
11Espalha os furores de tua ira; olha a todo soberbo, e abate-o.
12Olha a todo soberbo, e humilha-o; e esmaga aos perversos em seu lugar.
13Esconde-os juntamente no pó; ata seus rostos no oculto.
14E eu também te reconhecerei; pois tua mão direita te terá livrado.
15Observa o beemote, ao qual eu fiz contigo; ele come erva come como o boi.
16Eis que sua força está em seus lombos, e seu poder na musculatura de seu ventre.
17Ele torna sua cauda dura como o cedro, e os nervos de suas coxas são entretecidos.
18Seus ossos são como tubos de bronze; seus membros, como barras de ferro.
19Ele é a obra-prima dos caminhos de Deus; aquele que o fez o proveu de sua espada.
20Pois os montes lhe produzem pasto; por isso todos os animais do campo ali se alegram.
21Ele se deita debaixo das árvores sombrias; no esconderijo das canas e da lama.
22As árvores sombrias o cobrem, cada uma com sua sombra; os salgueiros do ribeiro o cercam.
23Ainda que o rio se torne violento, ele não se apressa; confia ainda que o Jordão transborde até sua boca.
24Poderiam, por acaso, capturá-lo à vista de seus olhos, ou com laços furar suas narinas?
Jó 41Abrir no leitor
1Poderás tu pescar ao leviatã com anzol, ou abaixar sua língua com uma corda?
2Podes pôr um anzol em seu nariz, ou com um espinho furar sua queixada?
3Fará ele súplicas a ti, ou falará contigo suavemente?
4Fará ele pacto contigo, para que tu o tomes por escravo perpétuo?
5Brincarás tu com ele como com um passarinho, ou o atarás para tuas meninas?
6Os companheiros farão banquete dele? Repartirão dele entre os mercadores?
7Poderás tu encher sua pele de espetos, ou sua cabeça com arpões de pescadores?
8Põe tua mão sobre ele; te lembrarás da batalha, e nunca mais voltarás a fazer.
9Eis que a esperança de alguém de vencê-lo falhará; pois, apenas ao vê-lo será derrubado.
10Ninguém há tão ousado que o desperte; quem pois, ousa se opor a mim?
11Quem me deu primeiro, para que eu o recompense? Tudo o que há debaixo dos céus é meu.
12Eu não me calarei a respeito de seus membros, nem de suas forças, e da graça de sua estatura.
13Quem descobrirá sua vestimenta superficial? Quem poderá penetrar sua couraça dupla?
14Quem poderia abrir as portas de seu rosto? Ao redor de seus dentes há espanto.
15Seus fortes escudos são excelentes; cada um fechado, como um selo apertado.
16Um está tão próximo do outro, que vento não pode entrar entre eles.
17Estão grudados uns aos outros; estão tão travados entre si, que não se podem separar.
18Cada um de seus roncos faz resplandecer a luz, e seus olhos são como os cílios do amanhecer.
19De sua boca saem tochas, faíscas de fogo saltam dela.
20De suas narinas sai fumaça, como de uma panela fervente ou de um caldeirão.
21Seu fôlego acende carvões, e de sua boca sai chama.
22A força habita em seu pescoço; diante dele salta-se de medo.
23As dobras de sua carne estão apegadas entre si ; cada uma está firme nele, e não podem ser movidas.
24Seu coração é rígido como uma pedra, rígido como a pedra de baixo de um moinho.
25Quando ele se levanta, os fortes tremem; por seus abalos se recuam.
26Se alguém lhe tocar com a espada, não poderá prevalecer; nem arremessar dardo, ou lança.
27Ele considera o ferro como palha, e o aço como madeira podre.
28A flecha não o faz fugir; as pedras de funda são para ele como sobras de cascas.
29Considera toda arma como sobras de cascas, e zomba do mover da lança.
30Por debaixo de si tem conchas pontiagudas; ele esmaga com suas pontas na lama.
31Ele faz ferver as profundezas como a uma panela, e faz do mar como um pote de unguento.
32Ele faz brilhar o caminho atrás de si; faz parecer ao abismo com cabelos grisalhos.
33Não há sobre a terra algo que se possa comparar a ele. Ele foi feito para não temer.
34Ele vê tudo que é alto; ele é rei sobre todos os filhos dos animais soberbos.
Jó 42Abrir no leitor
1E Jó respondeu ao SENHOR, dizendo:
2Eu sei que tudo podes, e nenhum de teus pensamentos pode ser impedido.
3Tu dizes : Quem é esse que obscurece o conselho sem conhecimento? Por isso eu falei do que não entendia; coisas que eram maravilhosas demais para mim, e eu não as conhecia.
4Escuta-me, por favor, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me ensina.
5Com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora meus olhos te veem.
6Por isso me abomino, e me arrependo no pó e na cinza.
7E sucedeu que, depois que o SENHOR acabou de falar essas palavras a Jó, o SENHOR disse a Elifaz, o temanita: Minha ira se acendeu contra ti e contra os teus dois amigos; porque não falastes de mim o que era correto, como o meu servo Jó.
8Por isso tomai sete bezerros e sete carneiros, ide ao meu servo Jó, e oferecei holocaustos em vosso favor, então meu servo Jó orará por vós; pois certamente atenderei a ele para eu não vos tratar conforme a vossa insensatez; pois não falastes de mim o que era correto, como o meu servo Jó.
9Então foram Elifaz, o temanita, Bildade, o suíta, e Zofar, o naamita, e fizeram como o SENHOR havia lhes dito; e o SENHOR atendeu a Jó.
10E o SENHOR livrou Jó de seu infortúnio, enquanto ele orava pelos seus amigos; e o SENHOR acrescentou a Jó o dobro de tudo quanto ele antes possuía.
11Então vieram e ele todos os seus irmãos, e todas as suas irmãs, e todos os que o conheciam antes; e comeram com ele pão em sua casa, e condoeram-se dele, e o consolaram acerca de toda a calamidade que o SENHOR tinha trazido sobre ele; e cada um deles lhe deu uma peça de dinheiro, e uma argola de ouro.
12E assim o SENHOR abençoou o último estado de Jó mais que o seu primeiro; porque teve catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois, e mil asnas.
13Também teve sete filhos e três filhas.
14E chamou o nome da uma Jemima, e o nome da segunda Quézia, e o nome da terceira Quéren-Hapuque.
15E em toda a terra não se acharam mulheres tão belas como as filhas de Jó; e seu pai lhes deu herança entre seus irmãos.
16E depois disto Jó viveu cento e quarenta anos; e viu seus filhos, e os filhos de seus filhos, até quatro gerações.
17Então Jó morreu, velho, e farto de dias.
Texto: Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles, fevereiro de 2018. Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Brasil.