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Ester 9–10 · Jó 1–6
Ester 9Abrir no leitor
1E no décimo segundo mês (que é o mês de Adar), no dia treze do mesmo, em que chegou o prazo para a palavra do rei se seu decreto serem executados, no mesmo dia em que os inimigos dos judeus esperavam vencê-los, sucedeu o contrário, porque foram os judeus que venceram aqueles que os odiavam.
2Os judeus se ajuntaram em suas cidades em todas as províncias do rei Assuero, para atacarem os que procuravam lhes fazer mal; e ninguém pôde subsistir diante deles, porque o temor a eles tinha caído sobre todos os povos.
3E todos os governadores das províncias, e os sátrapas, e os líderes, e os oficiais do rei, auxiliavam os judeus; porque o temor a Mardoqueu tinha caído sobre eles,
4Porque Mardoqueu era grande na casa do rei, e sua fama ia por todas as províncias; pois o homem Mardoqueu havia se engrandecido.
5Assim os judeus feriram a todos os seus inimigos com golpes de espada, matança, e destruição; e fizeram o que quiseram daqueles que os odiavam.
6E na fortaleza de Susã os judeus mataram e destruíram quinhentos homens,
7Inclusive a Parsandata, Dalfom, Aspata,
8Porata, Adalia, Aridata,
9Farmasta, Arisai, Aridai, e a Vaisata,
10Os dez filhos de Hamã filho de Hamedata, inimigo dos judeus; porém não puseram suas mãos no despojo.
11No mesmo dia veio diante do rei a contagem dos mortos na fortaleza de Susã.
12E o rei disse à rainha Ester: Na fortaleza de Susã, os judeus mataram e destruíram a quinhentos homens, e aos dez filhos de Hamã; nas demais províncias do rei, o que teriam feito? Qual pois é tua petição, para que te seja concedida? Ou qual mais é teu pedido, para que te seja feito?
13Então Ester disse: Se for do agrado do rei, conceda-se também amanhã aos judeus em Susã, que façam conforme a lei de hoje; e que enforquem na forca os dez filhos de Hamã.
14Então o rei disse que assim se fizesse; e deu-se a ordem em Susã, e enforcaram aos dez filhos de Hamã.
15E os judeus que estavam em Susã se ajuntaram também no dia catorze do mês de Adar, e mataram trezentos homens em Susã; porém não puseram suas mãos no despojo.
16Também os demais judeus que estavam nas províncias do rei se ajuntaram e para se porem em defesa de sua vida, e terem repouso de seus inimigos; e mataram a setenta e cinco mil daqueles que os odiavam; porém não puseram suas mãos no despojo.
17Sucedeu isto no dia treze do mês de Adar; e repousaram no dia catorze do mesmo, e fizeram dele um dia de banquetes e de alegria.
18Também os judeus que estavam em Susã se ajuntaram nos dias treze e catorze do mesmo mês; e no dia quinze do mesmo repousaram, e fizeram daquele dia um dia de banquetes e de alegria.
19Por isso os judeus das aldeias, que habitavam nas cidades se muros, fizeram o dia catorze do mês de Adar um dia de alegria, de banquetes, e dia de festejo; e de mandarem presentes uns aos outros.
20E Mardoqueu escreveu estas coisas, e enviou cartas a todos os judeus que havia em todas as províncias do rei Assuero, próximos e distantes,
21Ordenando-lhes que comemorassem o décimo quarto dia do mês de Adar, e o décimo quinto do mesmo, todos os anos.
22Como os dias em que os judeus tiveram repouso de seus inimigos; e o mês que tornou para eles de tristeza em alegria, e de luto em dia de festejo; para que os fizessem dias de banquetes e de alegria, e de mandarem presentes uns aos outros, e de doações aos pobres.
23E os judeus aceitaram fazer o que já tinham começado assim como o que Mardoqueu havia lhes escrito.
24Porque Hamã filho de Hamedata, o agagita, inimigo de todos os judeus, tinha planejado destruir todos os judeus, e lançou Pur, isto é, sorte, para os oprimir e os destruir.
25Mas quando isto veio diante do rei, ele deu ordem por cartas, que seu plano maligno, que tramara contra os judeus, tornasse sobre sua cabeça; assim enforcaram a ele e a seus filhos na forca.
26Por isso aqueles dias foram chamados Purim, por causa do nome Pur. Portanto, por causa de todas as palavras daquela carta; e do que testemunharam quanto a isso, e do que veio sobre eles,
27Os judeus confirmaram e comprometeram a si mesmos e a seus descendentes, e a todos os que se fossem próximos deles, que não deixariam de comemorar estes dois dias conforme o que foi escrito deles, e conforme seu tempo determinado, todos os anos;
28E que estes dias seriam lembrados e comemorados em todas as gerações, famílias, províncias, e cidades; e que estes dias de Purim não seriam ignorados pelos judeus, e que sua lembrança nunca teria fim entre seus descendentes.
29Depois disto a rainha Ester, filha de Abiail, e o judeu Mardoqueu, escreveram com todo poder, para confirmarem pela segunda vez esta carta de Purim.
30E foram enviadas cartas a todos os judeus, às cento e vinte e sete províncias do rei Assuero, com palavras de paz e de verdade,
31Para confirmarem estes dias de Purim em seus tempos determinados, conforme o judeu Mardoqueu e a rainha Ester tinham lhes confirmado, e como eles mesmos já o confirmaram para si e para seus descendentes; acerca do jejum e de seu clamor.
32E o mandamento de Ester confirmou estas palavras dadas acerca de Purim, e escreveu-se em um livro.
Ester 10Abrir no leitor
1E o rei Assuero impôs um tributo sobre a terra e sobre as ilhas do mar.
2E todas as obras de seu poder e de seu valor, e a declaração da grandeza de Mardoqueu, a quem o rei engrandeceu, por acaso não estão escritas no livro das crônicas dos reis da Média e da Pérsia?
3Pois o judeu Mardoqueu foi o segundo depois do rei Assuero, e grande entre os judeus, e agradável à multidão de seus irmãos, procurando o bem de seu povo, e falando prosperidade para todo o seu povo.
Jó 1Abrir no leitor
1Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e este homem era íntegro e correto, temente a Deus, e que se afastava do mal.
2E nasceram-lhe sete filhos e três filhas.
3E seu patrimônio era sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois, e quinhentas jumentas; ele também tinha muitíssimos servos, de maneira que este homem era o maior de todos do oriente.
4E seus filhos iam nas casas uns dos outros para fazerem banquetes, cada um em seu dia; e mandavam convidar as suas três irmãs, para que comessem e bebessem com eles.
5E acontecia que, acabando-se o revezamento dos dias de banquetes, Jó enviava e os santificava, e se levantava de madrugada para apresentar holocaustosconforme o número de todos eles. Pois Jó dizia: Talvez meus filhos tenham pecado, e tenham amaldiçoado a Deus em seus corações. Assim Jó fazia todos aqueles dias.
6E em certo dia, os filhos de Deus vieram para se apresentarem diante do SENHOR, e Satanás também veio entre eles.
7Então o SENHOR disse a Satanás: De onde vens? E Satanás respondeu ao SENHOR, dizendo: De rodear a terra, e de passear por ela.
8E o SENHOR disse a Satanás: Tendes visto meu servo Jó? Pois ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e correto, temente a Deus, e que se afasta de mal.
9Então Satanás respondeu ao SENHOR, dizendo: Por acaso Jó teme a Deus em troca de nada?
10Por acaso tu não puseste uma cerca ao redor dele, de sua casa, e de tudo quanto ele tem? Tu abençoaste o trabalho de suas mãos, e seu patrimônio tem crescido sobre a terra.
11Mas estende agora tua mão, e toca em tudo quanto ele tem; e verás se ele não te amaldiçoa em tua face.
12E o SENHOR disse a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está em tua mão; somente não estendas tua mão contra ele. E Satanás saiu de diante do SENHOR.
13E sucedeu um dia que seus filhos e filhas estavam comendo e bebendo vinho na casa de seu irmão primogênito,
14Que veio um mensageiro a Jó, que disse: Enquanto os bois estavam arando, e as jumentas se alimentando perto deles,
15Eis que os sabeus atacaram, e os tomaram, e feriram os servos a fio de espada; somente eu escapei para te trazer a notícia.
16Enquanto este ainda estava falando, veio outro que disse: Fogo de Deus caiu do céu, que incendiou as ovelhas entre os servos, e os consumiu; somente eu escapei para te trazer-te a notícia.
17Enquanto este ainda estava falando, veio outro que disse: Os caldeus formaram três tropas, e atacaram os camelos, e os tomaram, e feriram os servos a fio de espada; somente eu escapei para te trazer a notícia.
18Enquanto este ainda estava falando, veio outro que disse: Teus filhos e tuas filhas estavam comendo e bebendo vinho em casa de seu irmão primogênito,
19E eis que veio um grande vento do deserto, e atingiu os quatro cantos da casa, que caiu sobre os jovens, e morreram; somente eu escapei para te trazer a notícia.
20Então Jó se levantou, rasgou sua capa, rapou sua cabeça, e caindo na terra, adorou,
21E disse: Nu saí do ventre de minha mãe, e nu para lá voltarei. O SENHOR deu, e o SENHOR tomou; bendito seja o nome do SENHOR.
22Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma.
Jó 2Abrir no leitor
1E veio outro dia em que os filhos de Deus vieram para se apresentarem diante do SENHOR, e e Satanás também veio entre eles para se apresentar diante do SENHOR.
2Então o SENHOR disse a Satanás: De onde vens? E Satanás respondeu ao SENHOR, e dizendo: De rodear a terra, e de passear por ela.
3E o SENHOR disse a Satanás: Tendes visto meu servo Jó? Pois ninguém há semelhante a ele na terra, homem íntegro e correto, temente a Deus e que se afasta do mal; e que ainda mantém sua integridade, mesmo depois de teres me incitado contra ele, para o arruinar sem causa.
4Então Satanás respondeu ao SENHOR, dizendo: Pele por pele, e tudo quanto o homem tem, dará por sua vida.
5Mas estende agora tua mão, e toca em seus ossos e sua carne, e verás se ele não te amaldiçoa em tua face.
6E o SENHOR disse a Satanás: Eis que ele está em tua mão; mas preserva sua vida.
7Então Satanás saiu de diante do SENHOR, e feriu a Jó de chagas malignas desde a planta de seus pés até a topo de sua cabeça.
8E Jó tomou um caco para se raspar com ele, e ficou sentado no meio da cinza.
9Então sua mulher lhe disse: Ainda manténs a tua integridade? Amaldiçoa a Deus, e morre.
10Porém ele lhe disse: Tu falas como uma tola. Receberíamos o bem de Deus, e o mal não receberíamos? Em tudo isto Jó não pecou com seus lábios.
11Quando três amigos de Jó, Elifaz temanita, Bildade suíta, e Zofar naamita, ouviram todo este mal que lhe tinha vindo sobre ele, vieram cada um de seu lugar; porque haviam combinado de juntamente virem para se condoerem dele, e o consolarem.
12Eles, quando levantaram seus olhos de longe, não o reconheceram; e choraram em alta voz; e cada um deles rasgou sua capa, e espalharam pó ao ar sobre suas cabeças.
13Assim se sentaram com ele na terra durante sete dias e sete noites, e nenhum lhe falava palavra alguma, pois viam que a dor era muito grande.
Jó 3Abrir no leitor
1Depois disto Jó abriu sua boca, e amaldiçoou seu dia.
2Pois Jó respondeu, e disse:
3Pereça o dia em que nasci, e a noite em que se disse: Um homem foi concebido.
4Torne-se aquele dia em trevas; Deus não lhe dê atenção desde acima, nem claridade brilhe sobre ele.
5Reivindiquem-no para si trevas e sombra de morte; nuvens habitem sobre ele; a escuridão do dia o espante.
6Tome a escuridão aquela noite; não seja contada entre os dias do ano, nem faça parte do número dos meses.
7Ah se aquela noite fosse solitária, e música de alegria não viesse a ela!
8Amaldiçoem-na os que amaldiçoam o dia, os que se preparam para levantar seu pranto.
9Escureçam-se as estrelas de sua manhã; espere a luz, e não venha, e as pálpebras não vejam o amanhecer;
10Pois não fechou as portas do ventre onde eu estava, nem escondeu de meus olhos o sofrimento.
11Por que eu não morri desde a madre, ou perdi a vida ao sair do ventre?
12Por que joelhos me receberam? E por que seios me amamentaram?
13Pois agora eu jazeria e repousaria; dormiria, e então haveria repouso para mim;
14Com os reis e os conselheiros da terra, que edificavam para si os desertos;
15Ou com os príncipes que tinham ouro, que enchiam suas casas de prata.
16Ou por que não fui como um aborto oculto, como as crianças que nunca viram a luz?
17Ali os maus deixam de perturbar, e ali repousam os cansados de forças.
18Ali os prisioneiros juntamente repousam; e não ouvem a voz do opressor.
19Ali estão o pequeno e o grande; e o servo livre está de seu senhor.
20Por que se dá luz ao sofredor, e vida aos amargos de alma,
21Que esperam a morte, e ela não chega, e que a buscam mais que tesouros;
22Que saltam de alegram e ficam contentes quando acham a sepultura?
23E também ao homem cujo caminho é oculto, e a quem Deus o encobriu?
24Pois antes do meu pão vem meu suspiro; e meus gemidos correm como águas.
25Pois aquilo eu temia tanto veio a mim, e aquilo que tinha medo me aconteceu.
26Não tenho tido descanso, nem tranquilidade, nem repouso; mas perturbação veio sobre mim.
Jó 4Abrir no leitor
1Então Elifaz o temanita respondeu, dizendo:
2Se tentarmos falar contigo, ficarás incomodado? Mas quem poderia deter as palavras?
3Eis que tu ensinavas a muitos, e fortalecias as mãos fracas;
4Tuas palavras levantavam aos que tropeçavam, e fortificavas os joelhos que desfaleciam.
5Mas agora isso que aconteceu contigo, tu te cansas; e quando isso te tocou, te perturbas.
6Por acaso não era o teu temor a Deus a tua confiança, e a integridade dos teus caminhos tua esperança?
7Lembra-te agora, qual foi o inocente que pereceu? E onde os corretos foram destruídos?
8Como eu tenho visto, os que lavram injustiça e semeiam opressão colhem o mesmo.
9Com o sopro de Deus eles perecem, e pelo vento de sua ira são consumidos.
10O rugido do leão, a voz do leão feroz, e os dentes dos leões jovens são quebrantados.
11O leão velho perece por falta de presa, e os filhotes da leoa se dispersam.
12Uma palavra me foi dita em segredo, e meu ouvidos escutaram um sussurro dela.
13Em imaginações de visões noturnas, quando o sono profundo cai sobre os homens,
14Espanto e tremor vieram sobre mim, que espantou todos os meus ossos.
15Então um vento passou por diante de mim, que fez arrepiar os pelos de minha carne.
16Ele parou, mas não reconheci sua feição; uma figura estava diante de meus olhos, e ouvi uma voz quieta, que dizia :
17Seria o ser humano mais justo que Deus? Seria o homem mais puro que seu Criador?
18Visto que ele não confia em seus servos, e considera seus anjos como loucos,
19Quanto mais naqueles que habitam em casas de lodo, cujo fundamento está no pó, e são esmagáveis como a traça!
20Desde a manhã até a tarde são despedaçados, e perecem sempre, sem que ninguém perceba.
21Por acaso sua excelência não se perde com eles mesmos? Eles morrem sem sabedoria.
Jó 5Abrir no leitor
1Clama agora! Haverá alguém que te responda? E a qual dos santos te voltarás?
2Pois a ira acaba com o louco, e o zelo mata o tolo.
3Eu vi ao louco lançar raízes, porém logo amaldiçoei sua habitação.
4Seus filhos estarão longe da salvação; na porta são despedaçados, e não há quem os livre.
5O faminto devora sua colheita, e a tira até dentre os espinhos; e o assaltante traga sua riqueza.
6Porque a aflição não procede do pó da terra, nem a opressão brota do chão.
7Mas o ser humano nasce para a opressão, assim como as faíscas das brasas se levantam a voar.
8Porém eu buscaria a Deus, e a ele confiaria minha causa;
9Pois ele é o que faz coisas grandiosas e incompreensíveis, e inúmeras maravilhas.
10Ele é o que dá a chuva sobre a face da terra, e envia águas sobre os campos.
11Ele põe os humildes em lugares altos, para que os sofredores sejam postos em segurança.
12Ele frustra os planos dos astutos, para que suas mãos nada consigam executar.
13Ele prende aos sábios em sua própria astúcia; para que o conselho dos perversos seja derrubado.
14De dia eles se encontram com as trevas, e ao meio-dia andam apalpando como de noite.
15Porém livra ao necessitado da espada de suas bocas, e da mão do violento.
16Pois ele é esperança para o necessitado, e a injustiça tapa sua boca.
17Eis que bem-aventurado é o homem a quem Deus corrige; portanto não rejeites o castigo do Todo-Poderoso.
18Pois ele faz a chaga, mas também põe o curativo; ele fere, mas suas mãos curam.
19Em seis angústias ele te livrará, e em sete o mal não te tocará.
20Na fome ele te livrará da morte, e na guerra livrará do poder da espada.
21Do açoite da língua estarás encoberto; e não temerás a destruição quando ela vier.
22Tu rirás da destruição e da fome, e não temerás os animais da terra.
23Pois até com as pedras do campo terás teu pacto, e os animais do campo serão pacíficos contigo.
24E saberás que há paz em tua tenda; e visitarás tua habitação, e não falharás.
25Também saberás que tua semente se multiplicará, e teus descendentes serão como a erva da terra.
26Na velhice virás à sepultura, como o amontoado de trigo que se recolhe a seu tempo.
27Eis que é isto o que temos constatado, e assim é; ouve-o, e pensa nisso tu para teu bem .
Jó 6Abrir no leitor
1Mas Jó respondeu, dizendo:
2Oh se pesassem justamente minha aflição, e meu tormento juntamente fosse posto em uma balança!
3Pois na verdade seria mais pesada que a areia dos mares; por isso minhas palavras têm sido impulsivas.
4Porque as flechas do Todo-Poderoso estão em mim, cujo veneno meu espírito bebe; e temores de Deus me atacam.
5Por acaso o asno selvagem zurra junto à erva, ou o boi berra junto a seu pasto?
6Por acaso se come o insípido sem sal? Ou há gosto na clara do ovo?
7Minha alma se recusa tocar essas coisas ,que são para mim como comida detestável.
8Ah se meu pedido fosse realizado, e se Deus me desse o que espero!
9Que Deus me destruísse; ele soltasse sua mão, e acabasse comigo!
10Isto ainda seria meu consolo, um alívio em meio ao tormento que não me poupa; pois eu não tenho escondido as palavras do Santo.
11Qual é minha força para que eu espere? E qual meu fim, para que eu prolongue minha vida?
12É, por acaso, a minha força a força de pedras? Minha carne é de bronze?
13Tenho eu como ajudar a mim mesmo, se todo auxílio me foi tirado?
14Ao aflito, seus amigos deviam ser misericordiosos, mesmo se ele tivesse abandonado o temor ao Todo-Poderoso.
15Meus irmãos foram traiçoeiros comigo, como ribeiro, como correntes de águas que transbordam,
16Que estão escurecidas pelo gelo, e nelas se esconde a neve;
17Que no tempo do calor se secam e, ao se aquecerem, desaparecem de seu lugar;
18Os cursos de seus caminhos se desviam; vão se minguando, e perecem.
19As caravanas de Temã as veem; os viajantes de Sabá esperam por elas.
20Foram envergonhados por aquilo em que confiavam; e ao chegarem ali, ficaram desapontados.
21Agora, vós vos tornastes semelhantes a elas; pois vistes o terror, e temestes.
22Por acaso eu disse: Trazei-me algo ? Ou: Dai presente a mim de vossa riqueza?
23Ou: Livrai-me da mão do opressor? Ou: Resgatai-me das mãos dos violentos?
24Ensinai-me, e eu me calarei; e fazei-me entender em que errei.
25Como são fortes as palavras de boa razão! Mas o que vossa repreensão reprova?
26Pretendeis repreender palavras, sendo que os argumentos do desesperado são como o vento?
27De fato vós lançaríeis sortes sobre o órfão, e venderíeis vosso amigo.
28Agora, pois, disponde-vos a olhar para mim; e vede se eu minto diante de vós.
29Mudai de opinião, pois, e não haja perversidade; mudai de opinião, pois minha justiça continua.
30Há perversidade em minha língua? Não poderia meu paladar discernir as coisas más?
Texto: Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles, fevereiro de 2018. Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Brasil.